Trouxe de Curitiba um livro em brochura que considero um dos meus tesouros. Não se trata de nenhuma raridade caríssima, mas sim de mais uma história de Neil Gaiman. O autor inglês se tornou um dos meus favoritos desde que descobri The Sandman: O Mestre dos Sonhos.

ImagemTrata-se de The Graveyard Book (O Livro do Cemitério), que logo ganhará uma versão para os cinemas, seguindo o exemplo de outras obras de Gaiman, como Stardust: O Mistério da Estrela, e Coraline.

Desde que saí da Livraria Cultura na noite em que o comprei – meus agradecimentos sinceros aos meus colegas que me convidaram para a inauguração dela no Shopping Curitiba – embarquei nesta estranha, simpática, assustadora, enternecedora e aventureira história (sim, tudo isto!) do menino que cresceu em um… cemitério, criado por fantasmas.

Nobody Owens é o seu nome. A singularidade da forma como fora batizado não é nada perto da tragédia que lhe aconteceu e que resultou em sua presença naquele lugar onde a maioria dos vivos quer distância: os pais de Bod (como os íntimos o chamam) foram assassinados e garoto, ainda bebê, encontrou refúgio naquele solo sagrado.

Seus guardiões e tutores mortos não só o protegeram do assassino de sua família, como lhe ensinam coisas interessantes (assombrosas, se me permitem o trocadilho) coisas que gente viva jamais pensaria ser possível aprender. Como por exemplo, a difícil arte de se tornar invisível. A excêntrica experiência de aprender a ler usando as lápides do cemitério (que estranho pode parecer o mundo visto pelos epitáfios das pessoas!). Surrupiando o exemplar de Robison Crusoé do túmulo de um morto adolescente brigão do início do século XVIII, que tinha o livro como o único bem de valor que possuíra em vida.

E, no processo, Bod, no cemitério, aprende sobre a vida.

‘So, the people buried in the ground on the other side of the fence were bad people?’

Silas raised one perfect eyebrow. ‘Mm?’ Oh, not at all. Let´s see, it´s been a while since  I´ve been down that way. But I don´t remember anyone particularly evil. Remerber, in days gone by you could be hanged for stealing a shilling. And there are always people who find their lives have become so unsupportable they belive the best thing they could do would be to hasten their transition to another plane of existence’.

‘They kill themselves, you mean?’ said Bod. He was eight years old, wide-eyed and inquisitive, and he was not stupid.

‘Indeed’

‘Does it work? Are they happier dead?’

‘Sometimes. Mostly, no. It´s like the  people who belive they´ll be happy if they go somewhere else, but who learn it doesn´t work that way. Wherever you go, you take yourself  with you. If you see what I mean.’ (Bloomsbury, Londres: 2008, p. 94-95).

Termino esta nota curta com as palavras do próprio autor: “É um livro sobre amizade, família e… o quanto é realmente bom estar vivo”.

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