É, eu sei. É ridiculamente longo o tempo sem postagens. Mas uma mudança de emprego e de endereço que implica em uns 700km de distância daquilo que chamo de minha vida inteira faz isto com a gente.

Depois do choque inicial, a correria de ter que, em menos de um mês, criar uma nova vida para mim, começo a fazer algumas considerações sobre este recomeço em Curitiba.

Por exemplo, gosto de ouvir música clássica e instrumental quando entro no ônibus. E definitivamente dá uma sensação de civilidade quando aquela voz gravada começa a dizer: “Próxima parada, Estação X. Desembarque pelas portas 2 e 4”. Uau! Se pelo menos não viesse acompanhada da frase: “Cuidado com furtos no interior do veículo”. Aaaaahhhhh. Maravilha. Me deixou muito mais confiante.

Gosto do meu novo trabalho, apesar disto não significar que desgostava do anterior. E, definitivamente, não poderia ter encontrado melhores colegas de trabalho. Estar na Justiça Eleitoral é: 1) se preocupar em ser o mais perfeito possível e 2) ter que ter muito bom humor para se deparar com o fato de ser impossível ser perfeito e, ainda assim, continuar tentando.

Ah, e tem este negócio da biometria… O troço é tão doido que chega a ser divertido.

Uma vez, enquanto escaneava as DEZ digitais de uma senhora, ela me perguntou: “Nossa, agora vai ser impossível fraudar as eleições, né?”. E eu: “É, agora só falta só falta escanear a sua retina e colhermos uma amostra de DNA”. A mulher não riu como eu esperava e, quando levantei os olhos, vi que ela me levara muito a sério. Dei uma risadinha e disse algo engraçado para rápido fazê-la entender que estava brincando.

Nota mental para mim mesma: nunca subertimar o poder que te dá estar trabalhando na única intituição governamental que o povo brasileiro confia.

Ainda assim, às vezes, no final do dia, não dá para evitar ter teimosamente ressoando na minha cabeça aquela música do Michael Bublé: ¶ I´m lucky, I know, but I wanna go home, I´ve got to go home… Let me go hoooooooooooome!”.

Felizmente, aqueles domingos na Central de Atendimento da biometria me fez ter uma horinhas extras e eu consegui emendar o feriadão para vir para casa (ainda penso nela assim). Ah! Nada como saber onde fica cada coisa na cidade! Nunca fiquei tão feliz em encarar os buracos da BR101, trecho sul de Santa Catarina.

Minha cidade nunca pareceu tão linda. Tudo aqui me deixa extremamene contente. Ainda que me deixe triste a perspectiva de ter que partir novamente a música na minha mente soa mais como David Bowie: “Cha-cha-changes!”.

Anúncios