Hoje é o Dia do Advogado.

Muitos vão dizer: “jurava que 11 de agosto era Dia do Estudante”. Sim, também é. Pela mesma razão este dia é comemorado por estudantes e advogados: no dia 11 de agosto de 1827, foram instalados no Brasil os primeiros cursos jurídicos, um em São Paulo e outro em Olinda.

Primeira faculdade de Direito em Olinda

Não foram só as primeiras faculdades de Direito no Brasil. Foram as primeiras faculdades. Por isto a dupla comemoração, tanto para advogados quanto para a educação em si.

Aproveito o dia para falar deste profissional (ó, eu tambem sou, parabéns para mim! hehehe) e tão mal-falado.

Shakespeare dizia: “Matem os advogados!”. Outra escritora inglesa famosa, J.K. Rowling (a qual respeito muito), pôs na boca de seus personagem um diálogo mais ou menos assim: “Deseja seguir carreira em direito mágico, srta. Granger?”, “Não. Quero fazer algo útil na minha vida”.

Tanto sarcasmo e desprezo pela nossa profissão machuca meu orgulho profissional e mexe com meus brios e indignação. Pergunto-me onde está este sarcasmo todo quando o cliente adentra a porta do escritório, angustiado por uma confusão em que ele mesmo se meteu, querendo que o advogado lhe salve a vida.

Acredito, de verdade, no Direito como forma de resolução pacífica dos conflitos, exatamente como disse no juramento pronunciado por mim e por meus colegas no dia da formatura. Vejo minha profissão como instrumento da busca deste ideal. Por isto podem me chamar de ingênua, se quiserem, mas não de desonesta.

Como seria um mundo sem advogados e sem Direito? Bem, seria basicamente assim: você iria em frente ao juiz ou seja lá quem estivesse encarregado de resolver as “pendengas” e teria que se virar sozinho, pois não há advogado. “Mas eu não conheço as leis! Teria que estudar anos para aprendâ-las!”. É, teria sim. Ou melhor, não. Não existiriam leis, pois não existiria Direito, lembra? Então você estaria no escuro diante da pessoa ou pessoas que decidiriam seu futuro, sem nada que lhe desse a mínima certeza de que lhe dariam razão. Não teria garantias, nem a uma segunda opinião. Ah, por que não vamos mais longe: talvez nem houvessem tais juízes. Seria como na Idade da Pedra. Cada um por si.

Imagem linda, não acha?

Mas o mundo já viveu sem advogados, é verdade. A palavra “advogado” vem da expressão em latim ad vocatus (o que foi chamado). Coisa do Império Romano. Mas, ainda assim, levou um bom tempo até que vingasse a ideia de que todos merecem ter um advogado.

Vamos ver que momentos idílicos nos deixou esta “Era de Ouro”, quando não existiam advogados:

Sócrates. Grande inteligência, um dos pais da Filosofia. Sem advogado. Condenado a beber sicuta e morrer envenenado.

Jesus (a.k.a. "Nazareno", "Galileu" ou, como o chamavam os gregos, "Cristo"). Sem advogado. Condenado a morrer crucificado, apesar de ter passado por dois julgamentos, um diante dos sacerdotes judeus e outro diante do governador romano.

Galileu Galilei. Tinha o direito de chamar um "ad vogatus"! Mas não o conhecia. Não podia falar com ele. As palavras do advogado não pesavam no processo, e ele não tinha acesso aos autos. - Condenado a prisão domiciliar aos 70 anos. Morreu nela.

Não quero te assustar. Mas realmente acho que estamos melhor com os advogados. Acredite ou não a maioria de nós tem ética e se abstém de cometer atos que a firam. Se conhece algum de nós que não se enquadre neste perfil, por favor, faça uma denúncia no Conselho de Ética da OAB – vai ver que nem a gente gosta destes párias.

A Constituição de nosso país diz que o advogado é essencial à democracia. É o reconhecimento de que só com o acesso à Justiça, garantida pela presença de um profissional que lhe dê total e ampla assistência, o verdadeiro “poder do povo” pode se concretizar. Você não precisa ser um grande entendido em Direito. É só ter um advogado.

Se for um dos bons, melhor ainda… (olha o cinismo aí de novo).

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