Este não é um artigo propriamente dito. Está mais para uma conversa rápida, de mulher para mulher. Um bate papo, como se diz.

Mulheres adoram eviar e-mail com aquelas mensagens bonitinhas, cheias de moral, ou simplesmente de piadas (para começar bem o dia! dizem os enunciados). Adoro recebê-los – ainda que nem sempre consiga tempo para ler a todos -, é claro, sempre é bom ser lembrada pelos amigos (mesmo que tenha sido na base do “enviar a todos os contatos”).

No entanto, meus amigos estão cansados de saber que, ao me enviar um texto, correm o risco de eu realmente lê-lo. E mais: de que eu acabe respondendo a eles com minhas impressões (tanto de concordância quanto de protesto). Mas um tipo de e-mail me deixa na dúvida. As piadas. Não qualquer piada, mas aquelas que têm como centro do elemento cômico a desprestigiação de determinado gênero sexual. Piadas do tipo “O homem bem-sucedido é o que ganha mais do que sua mulher pode gastar; e a mulher bem-sucedida é a que acha tal homem”; ou ainda “Mulher para de se preocupar com o futuro quando conhece um marido; e o homem começa a se preocupar com o futuro depois que acha uma esposa”.

Pois bem, tenho sentimentos contraditórios sobre este tipo de piada. Por um lado, pode ser visto como recurso humorístico para ressaltar um comportamento ou entendimento errado e, assim, quem sabe, estimular a reflexão e mudança de comportamento. Por outro, pode ter o efeito justamente oposto, e dar a impressão de que todas as mulheres são interesseiras e procuram um homem em quem se apoiar financeiramente. Que é inclinação natural da mulher fugir da responsabilidade com o dinheiro, ir pelo caminho fácil.

Estamos no século XXI. Acredito que quem quer ser dona-de-casa como opção consciente de felicidade, tudo bem. Quem quer constituir uma família e, em conjunto com o parceiro, opta por se dedicar inteiramente ao lar, está em seu direito. É um modelo antigo, mas é um modelo. O que a mulher não pode é se deixar capturar na armadilha do “estou segura”, ou “devo procurar alguém que me dê segurança”. Isto não dá certo. Acreditem em mim, amigas, sou advogada de Direito de Família, já ouvi histórias de mulheres que se deram mal, ouvi-as mais vezes do que seriam suficientes para umas três vidas.

E há, é claro, o preconceito que se vira contra nós mesmas, por mais que não nos encaixemos nessa categoria de mulheres “interesseiras” e que só servem para gastar o dinheiro de um homem, “cabeças de vento”. Aliás, estou para conhecer uma profissional que não tenha sofrido com o preconceito. Entre um advogado homem e uma advogada, as pessoas tendem a achar que o homem é mais competente que a mulher, só pelo fato de ser homem.

Por vias das dúvidas, não enviem tais piadas. É dar um tiro no próprio pé.

Anúncios